Os Cafés Pedagógicos de 2014: Referências teóricas

Em 2014, organizamos oito Cafés Pedagógicos, no Espaço Pampédia, em que debatemos desde assuntos amplos como as consequências da institucionalização da educação no mundo contemporâneo, até aspectos mais intimistas da relação entre o eu e o outro, a afetividade, a empatia e a violência inconsciente de nossa comunicação.

Teoricos

Paulo Freire, Laura Gutman, Erich Fromm, Marshal Rosemberg, Jean-Marie Muller, Viktor Frankl foram alguns dos pensadores que nos abriram caminhos para uma compreensão mais profunda de nós mesmos e do mundo em que vivemos. Todos eles falam sobre uma radical mudança de paradigma, por caminhos diferentes, para um mundo diferente. Todos eles fazem parte de nossas referências na formação da Universidade Livre Pampédia. Veja abaixo um pequeno comentário sobre esses pensamentos que nos inspiram:

  • Em Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire propõe uma novo relacionamento entre professor, estudante, e sociedade. Baseado em sua experiência com alfabetização de adultos e dedicado aos “oprimidos”, o livro faz uma análise (marxista) de classes, observando a relação de exploração entre os que ele chama de “colonizador” e “colonizado”. A resolução dessa tensão se dá pela consciência crítica do oprimido que através da educação passa a compreender esses papéis e decide não mais reproduzir o modelo, abandonando o desejo de ser opressor, para construir um outro paradigma.
  • Observando mais de perto os indivíduos e os rótulos que cristalizam paradigmas e impelem a reproduzir os mesmos erros, O Poder do Discurso Materno, de Laura Gutman, desvenda as lembranças que se organizam, em nossa consciência, por meio das palavras que ouvimos desde a mais tenra infância. Papéis que nos são delegados como a boazinha, o estudioso, a ovelha negra, o avoado, não refletem de fato quem somos, mas sucumbimos a eles pela necessidade de afeto e pertencimento. Mergulhar nessa autocrítica pode nos transformar em seres humanos mais aptos a manter relações familiares e amorosas harmônicas e verdadeiras.
  • Erich Fromm, em O Medo à Liberdade, investiga as posturas psicológicas sádicas e masoquistas que reduzem as relações a exercícios de poder transformando os seres humanos em objetos. Tais posturas são motivadas pela insegurança ante a liberdade que a consciência do ‘eu’ nos proporciona.
  • A comunicação é a nossa ferramenta de convivência. É através dela que estabelecemos relações saudáveis ou doentias, com outros e conosco mesmo. Observar a forma como nos comunicamos é muito revelador. Para ajudar nesse processo, Marshal Rosemberg em seu livro A Comunicação Não Violenta analisa a nossa comunicação e propõe uma metodologia para expressarmos nossas necessidades e sentimentos de forma mais clara e sem violência. A empatia, a escuta atenta e o respeito são as chaves para comunicar afeto.
  • “A violência atinge sempre o rosto que ela deforma com o reflexo do sofrimento; toda violência é uma desfiguração. A violência fere e deixa marcas profundas na humanidade de quem a sofre. No entanto, o homem não sente apenas a violência sofrida, sente, por experiência própria, ser ele também capaz de exercer violência para com outros. O homem em reflexão, ou seja, ao se voltar para si mesmo, descobre-se violento. E a violência fere e desfigura igualmente a humanidade daquele que a exerce. […] Assim, quer pratiquemos a violência, quer a soframos, ‘de qualquer maneira seu contato petrifica e transforma um homem em coisa’.” (trecho do livro “O Princípio da Não Violência, uma trajetória filosófica”, de Jean-Marie Muller.)
  • Fechamos o ano com uma reflexão que partiu de um estudo que aponta São Paulo como a cidade com mais pessoas diagnosticadas com algum tipo de doença mental no mundo! Viktor Frankl, psiquiatra austríaco criador da Logoterapia, investiga o sentido existencial da vida humana, a dimensão espiritual da existência e aponta caminhos para olharmos para o mundo e para nós mesmos com uma outra lente.

A consequência de encontros como o Café Pedagógico é o desconforto em relação ao nosso modo automático de passar pela vida. Paramos para conversar, repensar, recalibrar, refazer a rota e começar de novo. Convidamos todos a participar desse recomeço!

Equipe Universidade Livre Pampédia

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