Quid Pro Quo, quiprocó e a verdade que liberta

Essa é uma expressão de origem latina que tem diferentes significados a depender da cultura na qual você vive. Entre os anglo-saxões é entendida e usada como uma troca de favores: eu faço isso para você e você faz isso para mim. Um favor por outro favor, dar e receber, toma lá e da cá. Já na sua originalidade e entre os latinos significa tomar uma coisa por outra, um falso entendimento, um erro, confusão.

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Daí hoje a expressão, quiprocó, ser usada no português como sinônimo de confusão. Trago essa expressão e com o significado e a interpretação latinas para analisarmos o que frequentemente tomamos no lugar de algo, de forma errônea.

Meios e fins, corpo e alma, ser e ter, matéria e espírito, religiosidade e espiritualidade. É o auge da crise da nossa civilização tão rica em conhecimentos, mas tão pobre em sentimentos. Abarcamos vasta superfície, mas a profundidade é de milímetros. Mal descobrimos a epiderme do Ser e já nos vangloriamos de que sabemos tudo e podemos tudo. Sem querer abraçar a frase socrática e com humildade afirmar: quanto mais sei, mais sei que nada sei, acreditamo-nos deuses, com características de onisciência, onipotência e onipresença.

O homem, no afã de conhecer a si mesmo, pensou que bastaria inventar os microscópios eletrônico e de varredura, as ressonâncias e os PETs (tomografia por emissão de positrons) e esquadrinhar a fisiologia do corpo e da célula para desvendar o segredo da vida.

Há mais de meio século a neurologia e a psiquiatria usando os meios mais sofisticados até agora não conseguiram, nem dizer o que é, nem localizar a consciência, ou seja, a essência. Afinal somos o quê? O que nos leva a ter consciência de nós mesmos e do Universo?

Os átomos, poeira das estrelas, reuniram-se ao acaso e daí surgiram a inteligência e a vida? Mas que coisa fabulosa! Utiliza-se o acaso para explicar a Vida, mas o que é o acaso? O nada. E como o nada pode produzir algo, ainda mais algo inteligível? A despeito desse pensamento simplista, até hoje não conseguimos juntar moléculas de carbono e dar vida a algo! Um vírus que seja! O que será que está faltando nessa equação?

Enquanto olharmos e nada enxergarmos, enquanto procurarmos e nada acharmos da essência no mundo material, navegaremos perdidos pelo mar da ignorância de nós mesmos.
Estaremos sempre vivenciando o nosso quid pro quo, trocando as aparências pelas essências, as superfícies pelos interiores, os efeitos pelas causas.

Mas há um consolo. O orgulho tolda-nos a visão, impede-nos de ver mais e além. Corrijamos primeiro a catarata do orgulho e depois seremos capazes de enxergar as maravilhas do Reino do Espírito, as causas primeiras, as essências, sem que para isso precisemos abrir mãos das superficialidades, do mundo material que, por enquanto, tanto adoramos e acreditamos ser único.

Sigamos, pois, o conselho de um sábio da antiguidade: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

E é através de uma educação livre, interdisciplinar, que inclua a espiritualidade, que podemos seguir por esse caminho de alargar a visão e alcançar a essência.

Voilá, Quid Pro Quo!

 

Franklin Santana Santos

Colaborador convidado do blog, é médico, doutor em Medicina pela USP, autor da Editora Comenius, professor até 2013 da pós de Pedagogia Espírita pela ABPE, trabalha com a questão da Educação para a vida e para a morte, um dos eixos temáticos da Universidade Livre Pampédia.

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