Do local para o global

Church-ConstructsAntes de inaugurarmos a Universidade Livre Pampédia, trabalhamos por pouco mais de dois anos na Zona Norte de São Paulo, na charmosa casa do Espaço Pampédia. Neste curto – porém, intenso – período, tivemos a oportunidade de vivenciar alguns lampejos de uma realidade mais ligada à comunidade local. Lá, fizemos algumas pequenas parcerias e/ou convivemos com o abrigo de crianças, com a feira de orgânicos, com a livraria de bairro, com o espaço de yoga, com alguns moradores mais próximos e até com a gata da rua – a quem demos o nome de Anália – que carinhosamente cuidou de nós enquanto estivemos por lá. Foi um início, um embrião, uma chama que se acendeu.

Com o lançamento da ULP e a mudança do espaço físico para Bragança Paulista, interior do estado de São Paulo, o foco desse trabalho com a comunidade será outro, que já começa a ser construído com a simples estruturação para o funcionamento dos finais de semana: o casal de caseiros da chácara, a padaria, o hortifrúti, a coleta de lixo… Mas queremos mais, muito mais!

O primeiro grande passo foi abrir essa discussão, incluindo-a em todas as atividades que forem ser realizadas ali. As duas turmas em andamento da pós-graduação em Pedagogia Espírita já passaram por esse primeiro momento. Estamos começando a debater as formas de ocupar esse novo espaço da Universidade Livre Pampédia, como construí-lo juntos, como transformar os ambientes em propostas interdisciplinares.

Afinal, por que não expandir o conceito de educação, ampliar as oportunidades de aprendizado, descobertas e autoconhecimento para todos espaços do coletivo? Essa é uma ideia que já tem sido trabalhada por vários pensadores, arquitetos, educadores, urbanistas, políticos e pessoas interessadas em construir um entorno de melhor qualidade e sentido; são os conceitos de territórios educativos, cidades educadoras, bairro-escola, entre outros.

Inspirações

O pesquisador e educador da Universidade de Valencia, Jaume Martínez Bonafé, faz essa relação da cidade, por exemplo, como o veículo de um currículo que já está ali presente, um texto que intrinsecamente carrega um sentido, seja ele qual for. “Proponho que exploremos a ideia da cidade fazendo currículo. Há milhares de situações construindo constantemente significados. Creio que a cidade junto aos meios de comunicação são elementos que estão nos fazendo como sujeitos, nos moldando. Portanto, são currículos e devem ser estudados como tal.”

Outro nome que tem somado muito a essa discussão é o do arquiteto e urbanista Jaime Lerner, famoso pelas obras de Curitiba e por implantações de suas criações no mundo todo. No seu livro “Acupuntura Urbana”, ele usa a técnica milenar como metáfora da nossa possibilidade de exercer uma atuação transformadora onde quer que estejamos, derrubando alguns muros entre a vida tão exclusivamente privada e a integração benéfica com o meio.

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Entre tantos grupos que têm trabalhado com esse tema, está a Cidade Escola Aprendiz, que tem entre outros diretores a socióloga e educadora Helena Singer. Na coleção recém lançada pelo Aprendiz, “Territórios Educativos: experiências em Diálogo com o Bairro-Escola”, consta uma entrevista com a também arquiteta e urbanista Bia Goulart. Segundo ela, a ideia de territórios educativos deve ser compreendida como um movimento de mão dupla: “a escola se abre para a cidade, e a cidade entra efetivamente na escola. Isso envolve espaço físico, currículo, formação dos educadores e profissionais e gestão intersetorial. É necessariamente uma conjunção de forças múltiplas”.

E o que fazemos com isso?

Como Universidade Livre Pampédia, portanto, a nossa proposta inicial é discutir amplamente essas possibilidades, incorporar os conceitos que dialogam com a nossa proposta e estimular a participação de todos os envolvidos para construir um espaço de educação integral nessa pequena comunidade: educandos, equipe, educadores e colaboradores.

O segundo passo – que não depende, no entanto, da conclusão do primeiro – será a ampliação desse círculo, integrando-nos firmemente e cada vez mais com a comunidade: os vizinhos, o bairro, a cidade. Como ainda nos inspira Comenius e tantos outros depois dele: do mais simples para o mais complexo, do local para o global. E vamos caminhando assim; dando os primeiros, mas constantes, passos nesse aprendizado.

Equipe Universidade Livre Pampédia

One thought on “Do local para o global

  1. Dora, você e toda essa maravilhosa equipe sempre trabalhando na construção do novo, trazendo ideias de vanguarda e explorando suas possibilidades!
    Um grande beijo a você e equipe

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