Por que existem as escolas? Que tipo de vida queremos ter?

Para o pensador austríaco Ivan Ilich (1926-2002), a obrigatoriedade do ensino escolar interrompe o direito à educação. No livro Sociedade sem Escolas (1971), ele aponta a grande distância que existe entre a burocracia da instituição escolar e a aprendizagem. Para ele, esse sistema deveria deixar de existir e em seu lugar teríamos uma rede de participação, cuidado e troca de experiências. Esse seria o novo paradigma educacional.

Ivans
Ivan Ilich real e o criador do Ivan Ilich ficcional (Liev Tolstoi)

Em tempos de internet e redes sociais, de crise mundial na educação, de crise de abastecimento de água – reflexo de uma crise política mais profunda de gestão coletiva de recursos e de consciência individual de responsabilidades -, as ideias de Ivan Ilich que soavam românticas na década de 70, hoje soam perfeitamente executáveis e agudamente necessárias.

Nota: é interessante notar que o nome de Ivan Ilich foi provavelmente inspirado na novela de Liev Tolstoi (1828 – 1910) – A Morte de Ivan Ilich (publicada em 1886). O livro do grande escritor e pensador russo conta a vida do Juiz Ivan Ilich, que por causa de uma doença terminal não diagnosticada vive um grande desequilíbrio emocional entre a vontade de morrer e o instinto de sobrevivência, que o leva a um processo longo de busca por um sentido existencial (que tipo de vida queremos ter?), rememorando suas decisões que responderam à imposições sociais e os pequenos momentos que tiveram real significado.

Na ficção do século XIX ou na realidade do XX, Ivan Ilich nos mostra a ilusão das instituições que se cristalizam ante o ritmo pulsante da vida que nos move.

Saibam mais sobre Ivan Ilich (do século XX) nestes vídeos do professor André Azevedo da Fonseca. Recomendamos também os dois livros – A Morte de Ivan Ilich e Sociedade sem Escolas.

Mauricio Zanolini

2 thoughts on “Por que existem as escolas? Que tipo de vida queremos ter?

  1. Vejamos a repercussão destes vídeos entre os colegas professores e a instituição…ou melhor, não vejamos nada, pois a embriaguez já não oculta é tanta que estão ali feito zumbis. Apreciei “por demás”, e só não me sentirei morto também se compartilhar e comentar a concisão e a clareza desta produção perfeita! Parabéns!

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