Educação e o fim dos empregos

Segundo estudos como o de Art Bilger, professor da Wharton School of Business da Universidade da Pensilvania, nos próximos 25 anos, os empregos sofrerão uma queda de aproximadamente 47%, devido à substituição de mão de obra humana por processos de Inteligência Artificial, robótica e outras tecnologias.Essa substituição não é restrita apenas à industria, ela incluirá trabalhos burocráticos, contabilidade, análise financeira (e de dados em geral), medicina, direito e profissionais da Educação.

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Um exemplo da substituição de pessoas pela máquinas são os robôs que costuram. Máquinas são boas para trabalhar superfícies rígidas como chapas metálicas (no caso da indústria automobilística), mas superfícies moles como o tecido dependem da sensibilidade de dedos e olhos humanos para corrigir esgarçamentos e dobras durante o processo de costura. Agora, com a velocidade de processamento de informações e câmeras e sensores acoplados, os robôs são capazes de corrigir a posição do tecido durante a fabricação das roupas, dispensando a mão de obra humana.

Na medicina, os diagnósticos podem ser feitos cruzando dados de resultados de exames, perfil genético e o monitoramento de hábitos de alimentação e atividade física, sem que a presença de um médico seja necessária.  Em contabilidade, com a globalização, as normas e regras tendem a ser mais universais, e nesse cenário mais simplificado, programas de consolidação contábil vão acessar os registros gerados pelas transações feitas com cartões de crédito, formulários on line, internet banking, etc, dispensando a figura do contador.

Cursos técnicos e a educação mais focada na instrução são substituídos por conteúdos à distância. A organização dos conteúdos, a gravação e de vídeos e a compilação de textos para montar um curso on line obviamente dependem de pessoas, mas esse tipo de atividade é um trabalho/projeto, com começo e fim, e não um emprego.

Para Bilger, nenhum governo está preparado para essa mudança radical. As incertezas do futuro levam políticos a adotarem discursos protecionistas e prometerem mais empregos, mas esse processo tecnológico é impossível de ser revertido. Ele sugere que todo o sistema educacional seja repensado para oferecer as habilidades necessárias para os trabalhos do futuro. A construção e manutenção de máquinas, o desenvolvimento de Inteligência Artificial através da escrita de algoritmos de programação de computadores, o desenvolvimento de novos negócios na área de serviços como turismo e entretenimento são caminhos mais evidentes. Ainda resta o problema da reciclagem de trabalhadores de meia idade que talvez tenham que mudar completamente de atividade, como por exemplo os motoristas de caminhão que não serão mais necessários, num mundo com carros autônomos.

Tudo isso parece meio ficção científica, mas a velocidade da inovação tecnológica é astronômica. Temos que nos antecipar e repensar a educação enquanto ainda temos tempo. As crianças de hoje vão ser adultas em um mundo completamente diferente deste que vivemos hoje, e com o aumento da expectativa de vida, nossa capacidade produtiva vai exigir de nós muitas mudanças de rota enquanto envelhecemos. Nenhum projeto de educação tem efeitos imediatos ou é feito para resolver problemas do hoje. O trabalho para os seres humanos é culturalmente fundamental. Está ligado à nossa percepção de quem somos e de qual o nosso propósito na vida. Não podemos negligenciar o futuro e condenar metade da população a uma vida sem ocupação e, portanto, sem sentido existencial. A falta de um cenário futuro claro não deve nos paralisar. Se não sabemos quais são as habilidades específicas que nossos filhos vão precisar nesse futuro incerto, que a educação de hoje então desenvolva o raciocínio crítico, a criatividade em múltiplos aspectos, de forma interdisciplinar, plural e empática, para despertar vocações e preparar as pessoas para ansiarem o futuro, e não para o temerem.

Mauricio Zanolini

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