Alimentação veggie na Universidade Livre Pampédia – um convite

saladas

É fato que o movimento vegetariano aumenta dia a dia no mundo. É fato que comer carne é predatório para a sustentabilidade do planeta. Por exemplo, para a produção de um quilo de carne bovina, gastam-se 15 mil litros de água! É fato que a produção em massa de carne, seja bovina, suína ou de frango, é cruel para os com bichos, que são mantidos presos, engordando, torturados e mortos de forma desumana e é perigosa para os humanos, porque toda essa produção em massa contém antibióticos, hormônios, que sem dúvida alguma são prejudiciais à saúde. É fato que temos que nos questionar por que amamos e protegemos um gato e um cachorro e choramos quando morrem, e ao mesmo tempo comemos seus irmãos tão mamíferos quanto: as vacas, os porcos e os mais afastados evolutivamente, as aves e os peixes (dos quais aliás também cuidamos em outras circunstâncias e com que podemos criar vinculação afetiva também!).

Contra fatos, não há argumentos. Mas, dizia o mestre Kardec, contra interesses, não há fatos.

O interesse de lucro dos produtores, o interesse do atavismo que ainda nos mantém amantes da carne. Afinal são milhares de anos, comendo carne, e somos viciados nela. E há muitos se enriquecendo na exploração desse nosso condicionamento carnívoro.

Mas é preciso convir que um passo evolutivo importante que teremos de dar – e logo – será abandonarmos esse consumo, individual e coletivamente. Se não for por um gesto de humanidade e compaixão, será por uma necessidade de sustentabilidade e por uma demanda de nossa saúde.

É claro que ninguém pode ser obrigado a aderir ao vegetarianismo. A liberdade individual é soberana e cada qual tem seu ritmo, suas escolhas, seus atavismos.

Mas é possível já experimentarmos, ensaiarmos, estudarmos a respeito.

Assim, baseados nessas premissas, decidimos que na Universidade Livre Pampédia, em nossos cursos e encontros com o público, adotaremos o vegetarianismo na alimentação. É claro que nenhum aluno e nenhum membro da equipe Pampédia está obrigado a aderir a essa proposta de alimentação, mas estão sendo convidados a pelo menos fazer uma experiência pontual de como é possível comer bem, comer coisas gostosas, sem necessidade de acrescentar o bacon, o caldo de carne e bife de cada dia.

Não se trata de uma imposição, mas de um convite. Não se trata de doutrinação, mas de uma vivência, que faz parte de nossa proposta de educação interdisciplinar e multissensorial. Qual seria a coerência de falarmos de sustentabilidade em nossos cursos e na hora do almoço fazermos um churrasco?

Isso não significa que todos os membros da equipe sejam vegetarianos. Cada qual é livre para comer o que lhe apetece. Mas em nossos eventos, resolvemos experimentar como será o futuro, não tão longínquo, da alimentação planetária.

Um poema e uma receita

Uma grande cozinheira de nossa equipe, a psicóloga Cláudia Mandato Gelernter inventou uma feijoada vegetariana que fica divina. Não é vegana, porque leva queijo, mas dispensa o bacon e a linguiça e tem muito sabor. Quando o feijão preto já estiver bem cozido, com todos os temperos devidos (alho, cebolinha, salsa, louro e cebola para quem gostar), coloquem-se pedaços de provoleta defumada. Comemos em nosso último almoço, com arroz integral, farofa e molho vinagrete. Não houve quem não repetisse!

Num livro ainda inédito de poesias psicografadas, que falam do futuro, há um poema de Manuel Bandeira, onde que ele anuncia um outro tipo de Pasárgada e nela há vegetarianos:

Partilha

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Quando tudo o que for teu, não for só teu,

E conheceres os passantes à tua porta,

E estenderes a mesa no quintal

para cear as estrelas visitantes.

E comungares o sol toda manhã,

sem te trancares em caixas de concreto.

E ouvires as flores pelas rua

e almoçares no pasto de tuas vacas

apenas o verde que elas também comem.

E beijares as mãos das crianças,

deixando que elas sejam mestras.

E alforriares pássaros e cães,

de todas as gaiolas e coleiras.

E alcançares a porta do vizinho,

com a oferenda do pão e do sal.

E te fizeres amigo do rei,

desmanchando todas as coroas.

E te fizeres servo do escravo.

arrebentando todas as cadeias.

E afirmares homem e mulher,

duas laranjas inteiras e iguais.

Então será a hora e a vez do Reino.

E Cristo poderá se desdizer,

porque o Reino será aqui, agora mesmo.

Manuel Bandeira

(Psicografia Dora Incontri)

Equipe Universidade Livre Pampédia

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