A Universidade no século XXI

Em nossa sociedade da informação, baseada na produção e disseminação de conteúdos, o conhecimento passou a ser muito mais acessível. Esse acesso democratizado tira da Universidade seu papel tradicional de principal produtora e guardiã do conhecimento. Mas nesse mundo digital, repleto de notícias falsas, robôs viralizadores de memes e fundamentalismos, a Universidade pode ter outro papel – o de espaço de debate para o  aprofundamento dos conhecimentos que catalisarão as mudanças na sociedade.

Ao contrário das transformações econômicas anteriores, que foram impulsionadas por recursos naturais como o ferro e o petróleo, vivemos num contexto em que o conhecimento, que é inesgotável, passou a ser principal motor do desenvolvimento. A Universidade antes estava amarrada ao financiamento do Estado e do mercado (na verdade ainda está, mas estamos num momento de transição), e por isso respondia a interesses estratégicos de formação de mão-de-obra e desenvolvimento econômico de seus países de origem. Hoje, a globalização e a fragmentação da produção de conhecimento podem libertar a Universidade dessas amarras, permitindo que ela retorne à sua essência.

A mudança (adaptação) sempre foi uma característica essencial das Universidades, assim como o papel de preservar e transmitir o patrimônio cultural de uma geração para a seguinte (o amor mundi de Hannah Arendt), e de fazer a crítica social construtiva. O século XXI pede um novo olhar (essa mudança) sem que percamos a essência. Projetos de universidades alternativas têm aparecido em todo o planeta, propondo novas formas de educação e de contribuição para a sociedade.

Nós, da Universidade Livre Pampédia temos essa visão. Trabalhamos para que a ideia de Universidade seja a mais ampla possível, seguindo as idéias de educadores como o checo Jan Amos Comênius (que cunhou o termo Pampédia – ensinar tudo a todos).  As forças do capital (do lado do financiamento, dos interesses do mercado), e das ideologias (nos guetos acadêmicos que dificultam o diálogo com outras ideias), deturparam esse tipo de visão, mas agora a “sociedade de aprendizagem”, que se desenha, pede outra abordagem:

Educação centrada no aluno – Como outras instituições sociais, as Universidades precisam se concentrar mais naqueles a quem servem, sendo mais receptivas ao que os alunos precisam aprender do que simplesmente o que as faculdades desejam ensinar (currículos fechados). ​É preciso incentivar a pesquisa, ação e ensino, individual e coletivo apoiando a autonomia sem esquecer o todo, estimulando a transformação social sem opressão e autoritarismo.

Acessibilidade – As universidades precisam oferecer oportunidades educacionais dentro dos recursos de todos os cidadãos. Alcançar a todos e a todas, de todas as idades e de todos os lugares, sem desmerecimento e ninguém, estimulando o diálogo, promovendo a troca, oferecer acolhimento, sem desfigurar o conhecimento.

Aprendizagem ao longo da vida – É preciso fundir o conceito de aluno e ex-aluno, transformando a experiência educacional num contínuo, como uma rede que se expande, sem um fim definido. Estimular o encontro entre seres humanos e ao mesmo tempo o cultivo de si, trabalhando com alcance universal sem se desligar do local.

Interatividade e ação – Fazer uso da tecnologia da informação para quebrar as restrições de tempo e espaço, tornando as oportunidades de aprendizado mais compatíveis com os estilos de vida e as necessidades de cada um, sem abrir mão do olho-no-olho, da convivência. Além disso é preciso arejar as teorias com práticas e ao mesmo tempo ancorar todas as práticas em teorias, conectando todas as áreas sem perder o foco da busca.

Mais diversidade – Com o encurtamento das distâncias que a tecnologia nos proporciona, precisamos promover o pluralismo, conservando as diferentes identidades, dando voz a todas as vozes, sem favorecer a inconsistência, incentivando o debate, sem o confronto.

A Universidade Livre Pampédia, assim como muitos outros novos projetos educacionais que são consequência dessa desierarquização do ensino superior, ainda está engatinhando. Precisamos, e precisaremos ainda por algum tempo, do apoio, do suporte, da participação e da solidariedade daqueles que apostam nesse resgate de uma educação mais essencial. Não é um caminho fácil lutar pela democratização do conhecimento, sem permitir que ele seja banalizado, sem dogmatismo, mantendo a abertura, sem cair num relativismo. Esse é o futuro da educação e é também a nossa missão.

 

*saiba como apoiar a Universidade Livre Pampédia aqui!

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