Pela liberdade de copiar, recombinar e transformar o mundo.

A tecnologia cada vez mais democratizada tem desafiado estruturas de poder em todas as áreas. Da participação política mais capilarizada, ao consumo consciente, vamos vivendo uma revolução que aos poucos coloca os indivíduos no papel de protagonistas, tirando o poder das instituições e corporações. Mas essa batalha é dura e o poder estabelecido não tem nenhuma intensão de ceder terreno.

Um exemplo desse embate é o revés que o Sci-Hub e o Library Genesis Project (Libgen) sofreram recentemente nas cortes de Nova York. Os dois sites disponibilizam artigos científicos gratuitamente na internet, mas grandes editoras que dominam o mercado desse tipo de publicação querem ser indenizadas pelo o que elas chamam de “roubo de material protegido pelo direitos autorais”.

A ideia do site nasceu do inconformismo e das habilidades de programação da neurocientista Alexandra Elbakyan. Ela considera injusto (com razão) que as grandes editoras especializadas em artigos científicos de um lado cobrem dos cientistas (que produzem as pesquisas) para publicar seus artigos, e de outro cobrem dos estudantes e das universidades que querem ter acesso aos artigos. O faturamento e a margem de lucro da editora que processou Alexandra são absurdos e esse sistema apenas elitiza o conhecimento.

Nesse vídeo de Kirby Ferguson, ele defende a tese de que tanto a evolução biológica do homem (genes) quanto a construção da cultura humana (memes)  de baseiam em três pilares essenciais: cópia, transformação e recombinação.

Ele nos mostra que devido a um sistema de defesa da propriedade intelectual que está mais interessado no lucro que essa defesa provê, do que no bem comum que as ideias podem proporcionar, vivemos num mundo de litígios. Num passado de fronteiras e interesses nacionais mais rígidos, países como os Estados Unidos ignoraram os direitos autorais da produção de outros países para promover seu próprio desenvolvendo econômico. O mesmo Estado Unidos hoje impõe suas regras rígidas sobre a propriedade intelectual para países em desenvolvimento.

Mas nesse mesmo mundo, da comunicação instantânea, que está aos poucos criando uma cultura global, fica cada vez mais claro que problemas globais como a mudança climática, as epidemias, a fome, só podem ser equacionados se trabalharmos cooperativamente. É compartilhando nosso conhecimento, nossas patentes, nossos insights, para que possam ser copiados e recombinados,  que vamos transformar o mundo e construir um futuro inédito. O ressurgimento do conservadorismo no mundo todo é um sintoma, uma reação desesperada, já que nunca estivemos tão perto desse futuro humanista. Resistamos!

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