O uso de drogas e os jovens!

As drogas convivem com a sociedade desde sempre, do uso medicinal ao recreacional, passando pelo religioso, é possível rastrear seu uso por seres humanos até a Antiguidade.

Qual então o problema do uso de drogas se é algo que acompanha a história da humanidade?

20101013112240782
Arte de Christina Liu

As respostas são inúmeras. Entre elas, está a de que não há problema algum com o uso de substâncias que causem dependência física e psíquica. Porém, verifica-se que é um problema de saúde pública, que impõe aos governos de países uma série de ações de combate ao uso, sem entrar no mote da produção e distribuição ilegal, que afeta a vida das pessoas em diversos níveis, usuárias ou não.

Escutava a Rádio USP FM e entrou um programa sobre pesquisas que estão constatando que o uso de drogas por jovens, além dos problemas já difundidos sobre a dependência física e psíquica, é mais prejudicial do que o uso por adultos. Em jovens, o uso afeta severamente a constituição dos sistemas cerebrais, muito deles ainda em formação quando do início do uso das substâncias, inclusive álcool.

Fui pesquisar sobre esse assunto, mas ler artigos médicos não é fácil para um leigo, ainda mais na linha de trabalho do estudo citado pela USP FM. Mas achei um artigo interessante de Marques e Cruz de 2000, publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria; esse artigo possui todos os termos técnicos e específicos da medicina, que dificultam o entendimento de um leigo, porém no meio do texto, há uma passagem interessante e que está relacionada aos jovens e seu convívio social.

Os autores destacam que jovens, ao utilizar drogas, não esquecendo que nesse universo o álcool faz parte, eles se expõem a situações de risco ligadas à violência e a acidentes mais do que os usuários adultos; a justificativa é o fato dos jovens ainda estarem construindo e apreendendo seu senso de conservação (uma citação direta ao famoso “sem noção”!).

Jake Bugg canta (vídeo) a aventura de jovens que tomaram “uma ou duas pílulas” para se divertirem noite afora. A letra dessa música é direta, sem metáforas, e acaba tragicamente. O personagem principal teve até um mau pressentimento, porém ele e os amigos ficaram na festa, um sinal, talvez, desse senso de conservação ainda em desenvolvimento. Interessante notar que JaKe Bugg não é um cinqüentão apontando o dedo para os jovens em tom de represália, mas era um garoto de 16 anos, quando compôs a canção.

Acompanhar o dia a dia de um jovem é difícil nos tempos de hoje. Não temos controle total do que acontece, o que nos impõe mais atenção em perceber seu comportamento e o provável uso de drogas. Os fatores de risco que levam ao consumo de drogas são amplos e estão assim destacado por Marques e Cruz: “Segundo Newcomb (1995), os fatores de risco para o uso de drogas incluem aspectos culturais, interpessoais, psicológicos e biológicos. São eles: a disponibilidade das substâncias, as leis, as normas sociais, as privações econômicas extremas; o uso de drogas ou atitudes positivas frente às drogas pela família, conflitos familiares graves; comportamento problemático (agressivo, alienado, rebelde), baixo aproveitamento escolar, alienação, atitude favorável em relação ao uso, início precoce do uso; susceptibilidade herdada ao uso e vulnerabilidade ao efeito de drogas”.

O fim do artigo cita uma série de tratamentos, mas um traço comum é a presença da família nos processos. A presença da família tem duas vertentes de análise: apoio e carinho é a primeira; a segunda é que a situação estrutural da família pode ser um dos motivos de desequilíbrio do jovem. Assim, a família precisa passar pelo processo junto com ele, seja no caso de apoio, ou seja, de uma reabilitação conjunta.

Mudando o enfoque da causa e efeito para prevenção: a educação do ser humano, com uma visão integral, não pode negligenciar que há o risco das drogas na vida de qualquer um e deve-se preparar o ser para enfrentar as dificuldades do mundo; podemos citar métodos que visam ao ser integral, como a de Pestalozzi, por exemplo; mas esse é um processo que começa cedo e perpassa toda a juventude e deve criar ecos na maturidade. Esse tipo de visão é contrária à visão utilitarista da educação (conteúdo: ou você sabe ou não sabe), e faz com que educadores enfrentem problemas além das paredes da sala de aula, querendo ou não!

Alexandre Mota

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s