O discurso do Educador ante os atentados à vida

O noticiário da TV destacou recentemente um ataque a civis no Paquistão, provavelmente um homem bomba detonou sua carga em meio a uma festa; o resultado foram cerca de 80 pessoas mortas, sendo que a maioria mulheres e crianças.

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O fato em si é perturbador, porém, nos países do Oriente Médio, os atentados contra a vida, geralmente por meio da detonação de bombas, sejam do jeito que for, ocorrem praticamente todos os dias.

Em novembro de 2015, houve atentados na cidade de Paris, quando grupos políticos que agem na África e Oriente Médio promoveram o mesmo tipo de atentado, contudo agora em terras ocidentais e com vítimas sobretudo ocidentais. Fato que se repetiu nesse fim de março de 2016 em Bruxelas na Bélgica, porém sem o mesmo impacto e comoção que os acontecimentos de Paris.

A conversa aqui não é discutir o porquê nos abalamos por desconhecidos em algumas tragédias mais do que outros desconhecidos em outras tragédias, vale lembrar que a cada dia no Brasil ocorrem mortes em conflitos entre suspeitos e a policia militar que somam anualmente mais mortes que as registradas em países do Oriente Médio e África, que estão em estado de guerra.

A conversa aqui é discutir o que pode um professor/educador esclarecer e como pode melhorar o debate com seus educandos de forma que se fuja da notícia de impacto que dá audiência, que cria comoção, mas que ao mesmo tempo banaliza.

Eticamente, o que pode fazer um educador em situações como essa?

Em relação ao ocorrido no Paquistão, eu não saberia dizer quem governa o país, se há forças de ocupação, se a ONU está presente, quais são as religiões predominantes. No caso da França, embora pouco possa falar com propriedade do Estado Islâmico – o agressor – posso falar com mais propriedade da França, assim, qualquer exposição minha seria pró ocidente e totalmente contra o Estado Islâmico (sem entrar em qualquer mérito de motivação para o ataque).

Em outras palavras, eu falaria que o atentado no Paquistão é conseqüência de brigas tribais de religiosos fundamentalistas, e sendo assim, eles que se entendam. Em relação à França, eu tenderia a condenar o Estado Islâmico veementemente, pois está contra aquilo que me é mais “amigo” e “reconhecível” .

Respondendo à pergunta, após verificar que seria difícil um posicionamento sem qualquer viés: eticamente, em situações como essas, parece-me que o educador só pode direcionar seu discurso aos educandos pela não-violência e, se necessário, pela não-cooperação (a lógica de não ajudar a roda da tragédia – ex. a Bélgica é uma das principais produtoras mundiais de fuzil de guerra), ou seja, trabalharmos a ideia de sermos pacifistas acima de tudo, o que representa um posicionamento aberto e essencialmente humanista, que permite que cada educando possa desenvolver seu raciocínio sem qualquer doutrinação pela ordem econômica, etnográfica, religiosa ou política.

Alexandre Mota

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