Educação Para a Solidariedade

Nosso modo de ser e perceber o mundo se forma através das experiências vividas ao longo dos anos, principalmente as que foram aprendidas junto a pessoas mais significativas – nossos pais, irmãos e amigos.

E, neste caldo cultural, seguimos por aí, nutrindo nossas mentes nestas relações interpessoais, influenciando o meio com ingredientes nossos, subjetivos, que acabam por manter esta dialética, construindo a realidade que nos cerca.

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O que acontece é que nem tudo o que fazemos por aí parte do nosso campo consciente.

Muitas das nossas crenças, reações, sentimentos, estão em um plano pouco ou nada conhecido por nós.

Ficam “armazenados” no nosso inconsciente, porém nunca inativos. Mostram-se, justamente nos momentos de decisões, escolhas e modo de ver a vida.

Este aspecto individual pode ser levado ao macro, ao social mais amplo, respeitando-se as proporções. Muitas das características de determinadas culturas apresentam questões não sabidas, compreendidas, portanto, inconscientes.

Aliás, depois de conhecer a Psicologia Social, com seus esclarecimentos azedos, porém fundamentais, passei a me dar conta de que nem tudo o que nos parece rosa, em termos de sociedade brasileira, é assim tão suave.

Por exemplo – cresci escutando que o brasileiro possui alma solidária, é amigo de todas as nações, abre os braços para todos os necessitados.

E, devido a uma lógica psíquica, emocional, acreditei nesta informação, baseada em senso comum, precisando depois analisar determinadas situações e conceitos sob outro prisma.

A verdade, esta amiga de todas as horas é e sempre será a porta para as mudanças. Enquanto não vêm à tona, não há o que se fazer. Como alterar algo desconhecido?

No processo terapêutico trazer alguns materiais inconscientes ao consciente é de fundamental importância, para que sejam trabalhados, ressignificados. Claro que dentro das possibilidades egóicas do sujeito, porém, nada muda sem esta audaciosa viagem rumo a si mesmo, com direito a muitas emoções, nem sempre agradáveis, claro.

Falando, ainda, desta revisão do inconsciente brasileiro, digo que precisamos olhar mais de perto para esta questão da solidariedade, citada acima.

Costumamos nos auto intitular fraternos, cooperativos, solidários, amigáveis.

Não foi isso que a última pesquisa global, que mede o nível de doação – de recursos e tempo – das populações de 135 países, mostrou. Ficamos em Nonagésimo Lugar! Aliás, cabe dizer que caímos 36 posições neste ranking.

A pesquisa World Giving Index 2014 foi realizada pela ONG britânica Charities Aid Foundation e divulgada no Brasil na terça-feira (18/11) pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS). Nela, países como Mianmar – eminentemente budista e segundo colocado na pesquisa -, aparecem de forma destacada, graças a sua cultura popular de doação.

Já no Brasil, onde o cristianismo prevalece, o que temos visto é algo bem diferente do pensado.

Paula Fabiani, presidente do Idis, afirmou que “A doação em dinheiro não faz parte da conversa do brasileiro. Não se discute o que se faz de doação social ou qual organização se apoia. Lá fora isso é mais comum e faz parte da cultura do indivíduo desde criança. Nos Estados Unidos se discute isso desde a escola.” Percebe-se, então, que questões fundamentais são pouco exploradas, discutidas no Brasil.

Países que mais cresceram nos últimos anos, são também os mais solidários. Esta relação tem toda a lógica e nem precisa de uma análise mais aprofundada, mas deve nos servir de norte em diversas ações na área da educação.

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A questão da solidariedade não é importante para angariarmos bons terrenos celestiais, como preconizam tantos religiosos por aí, mas para produzirmos terrenos sociais mais justos, menos predatórios.

Se existe um laço perverso nesta sociedade na qual vivemos, no qual a cultura de senzala prevalece, só poderemos alterar esta vivência centenária através de discussões amplas, irrestritas, em todos os níveis.

E, ainda falando em solidariedade, o apoio à educação entra neste cenário como algo de base, fundamental e urgente. Falamos de uma educação diferenciada e não apenas da transferência de conteúdos, claro.

Uma educação libertadora, que nasce com este desvelar, para desembocar em transformação social – nosso maior objetivo, aliás.

Claudia Gelernter

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